Bem-vindo à Era pós-PSD | Designers Brasileiros

Sente-se, pegue seu café, analise o material enviado pelo cliente e comece a planejar visualmente o conteúdo do novo site.
Foi assim que sempre trabalhou, certo? Bem, lamento mas chegou a hora de mudar.

Há algum tempo li um artigo que me despertou sobre o tema, a Era pós-Comps — aquele grupo famoso de PSDs ou imagens que enviamos aos nossos clientes. Fiquei com isso na cabeça…

Nesta quinzena, tive de realizar 2 entregas que me forçaram a trabalhar de uma forma diferente. E aí tudo se conectou.

O modelo de trabalho que abordo aqui não é exatamente novo mas, como as coisas demoram um pouco aqui ao Hemisfério Sul, passamos a nos deparar com ele mais ultimamente.

O problema

Você já reparou, por exemplo, como é raro um cliente entregar seu conteúdo finalizado no momento adequado do projeto? Aliás, em algum momento esse conteúdo adequado chegou ou chegará a existir?

Bom, assim como você, todos estão cada vez mais atarefados e isso inclui aquele seu cliente. A cada dia trabalhamos mais e nos envolvemos em universos diferentes, reduzindo o tempo hábil para se fundamentar conceitos. Além disso, com a dinâmica dos negócios, é sempre difícil traduzir empresas e produtos em informações coesas e definitivas.

Tudo está sempre mudando aqui, não tenho agora os textos para o site mais crie o Layout (Visual) aí que depois entro com o conceito.

É, eu sei que você já ouviu essa. #TamoJunto

Fato é que as coisas mudaram. Mas prazos e entregas precisam acontecer, fundamentalmente. E o que entregar então? Primeiramente, bem-vindo à Era pós-PSD.

Afinal, segundo Mike Monteiro costuma dizer (e suas palestras são sempre ótimas!):

Um PSD é um site apresentado como uma pintura, um quadro.

E nós, amigos designers, não somos artistas. Somos projetistas.

Colagem de Elementos

No seminário Design deliverables for a post-comp era, Dan Mall apresenta seu jeito interessante de trabalhar. É um modo que justifica-se em tempo de produção e qualidade de entrega. Você pode ver o vídeo completo no link acima mas resumo o processo:

  • Em reunião, o designer questiona o cliente sobre suas expectativas;
  • O designer realiza uma coleta de similares;
  • O designer apresenta ao cliente um print de um bom site-referência, substituindo o logo do site pelo do cliente, em um PowerPoint;
  • Partindo daí, designer e cliente debatem sobre Cores, Conceitos e Tom de Voz: o que funciona, o que não, etc;
  • Depois disso, o designer cria elementos separados que dizem respeito aos temas discutidos;
  • Finalmente, o designer entrega uma colagem de elementos que apresentam ao cliente a sensação de um produto final — ainda que ainda esteja longe disso.
Uma das colagens de Dan Mall
Uma das colagens de Dan Mall

A colagem de elementos é uma ideia de trabalho, não a verdade universal. Você pode concordar e topar, ou simplesmente não ligar. Mas é sempre bom olhar o ponto positivo das novas ideias.

Neste processo, o interessante é que, uma vez que se depara com entregas sequenciais e ‘semiprontas’ como estas os clientes conseguem pensar no conteúdo que realmente precisam. Começam então a fazer apontamentos e o trabalho será finalmente realizado e terminado. Justamente ao contrário do bloqueio que geralmente sentem quando se deparam com seu Doc dizendo basicamente: “Insira o conteúdo do seu site aqui…”

Em alguns casos, essa é justamente a entrega. É o que os clientes precisam. Pedem todo o material para que prossigam dali, editando o conteúdo. Neste caso, finalizado os estilos em HTML/CSS/JS e realizo a entrega.

Ah, mas eu não programo, sou um Visual Designer!

É, meu amigo. Programar eu também não programo. Mas é preciso se mexer, sair da zona de conforto, procurar entregar sempre o melhor produto. Para isso, que tal estudar um pouco sobre como ao menos ‘expandir sua zona de conforto’? Eis um belo começo…

Sei que esta é uma discussão extensa e não quero abordá-la agora. Existem defensores de que o Design seja feito direto no browser, todo em codificação, mas acho que não precisamos considerar somente situações bilaterais na vida. Há sempre bons tons de cinza 😉

A colagem de elementos pode ser um bom caminho para seus projetos. Aliada à criação de uma folha de estilos em HTML/CSS/JS formam uma entrega consistente e abalizada.

Recomendações

Se gostou da ideia das colagens, recomendo o material Visual Inventory, recurso que o próprio Dan disponibilizou para auxiliar neste contato com os clientes. Uma apresentação preparada para criar entregas, bem parecidas com aquelas apresentadas por ele no seminário.

Para quem deseja respirar novos ares nas entregas e começar a tentar apresentar mais do que imagens fixas, recomendo este belo post do Product Hunt, 15 Tools That Will Help You Build Your Website: No coding Required.

No meu caso, trabalho diariamente com o WebFlow. Conheci a plataforma há um ano atrás e ela mudou minha vida, definitivamente! Chego a criar muita coisa direto lá mas ainda não abandonei as composições visuais (PSDs ou Sketch) por enquanto. Ainda são úteis em muitos casos.

Agradeço seus minutos de leitura. Se curtiu espalhe a palavra ou me mande um tweet de apoio ou questionamento, vai ajudar me motivando a escrever mais.

Este é mais uma semana de meu projeto #GrowthMonth, iniciativa abordarei em um post futuro. Tenha um maravilhoso fim de semana!

Henrique Foca
Author

Foca é um designer experiente, com mais de 10 anos na área. É Head of Design e Home Officer na RedPill.Digital, apaixonado por UI e o universo a sua volta. Está em Milão cursando Mestrado em Visual Design pela Scuola Politecnica di Design.

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