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7 lições para designers: do outro lado

do outro lado do design

Se você chegou a ler o texto sobre saúde, já deve saber que essa profissão pode acabar com você. Ao contrário do que muitos pensam que você pode estar ficando rico e logo vai sair por aí com seu Audi (tem que ser branco), na verdade você pode estar passando por um perrengue sério por ter exagerado na dose de trabalho.

Mas ué… exagerar na dose de trabalho?

Designer não é aquela pessoa toda descolada, modernosa, com tatuagens abstratas e de camisa de lenhador que trabalha quando quer e a cada trabalho ganha uma quantia “dinheruda” pra torrar tudo naqueles fones de ouvidos bacanas que usa com os gadgets da Apple? E tem que ser Apple. Se você usa Android está fazendo isso errado e vai acabar estragando o estereótipo dos designers.

Bom, era quase isso que no começo da carreira eu imaginava. E por muito tempo foi o que busquei (pra você ter ideia só ontem abandonei a ideia do Audi). Essa carreira às vezes te impõe alguns padrões coletivos que não fazem muito sentido.

Querendo ou não, qualquer ramo do design carrega em si um pouco de pompa. Coisas bonitas, sofisticadas, de bom gosto, caras, exclusivas. Dinheiro e arte explodindo por todos os lados. Prazos infinitos e o resultado é sempre uma obra prima, naturalmente idealizada e minunciosamente trabalhada até os últimos detalhes de um conceito que só as mentes mais aguçadas conseguem apreciar. Só que não.

Se você é mais velho nessa área como eu, sabe que existe uma baita ficção científica em torno das expectativas dessa profissão. Ela tem seu glamour sim, mas não é feita e nem se alimenta disso. Não são as ótimas ideias que aparecem o tempo todo na cabeça do designer que turbinam essa atividade. Essas ótimas ideias não existem. Mas o que empurra com muito esforço e suor essa profissão adiante são as ideias, nem sempre ótimas, mas muito trabalhadas e lapidadas e que nem sempre vem em um, dois, três dias… algumas levam semanas pra chegar.

Durante meus anos de carreira trabalhei com vários ótimos profissionais. Alguns parecidos com esse estereótipo que brinquei acima. Outros que pareciam gerentes de T.I. (mais um estereótipo). Mas o que posso dizer com certeza é que todos tinham uma coisa em comum: na hora do trabalho, não existe pompa ou glamour. Só trabalho. E trabalhar dá trabalho.

Quando olhamos para um portfólio lindo, pensamos que aquele profissional tem idéias assim o tempo todo e que tudo o que ele faz fica sensacional daquele jeito. Mas a grande verdade é que ele fez muita tranqueira, teve muita dor de barriga e beirou o pânico porque nenhuma ideia que prestava aparecia. Isso sem contar as reprovas do cliente.

Quantas vezes você já não olhou pra outro portfólio e se sentiu um noob? Ou então comparou seu salário ou tipo de trabalho com o de outros amigos? Vai dizer que não se sente intimidado quando imagina a vida profissional de um Jonathan Ive por exemplo?

Nós olhamos as exceções, os profissionais já lapidados e os trabalhos pinçados e escolhidos a dedo e acreditamos que tudo é assim. Menos nós. Bem, falo por mim nesse ponto. Já me frustrei muito em pensar assim. Querer alcançar a excelência instantaneamente e acreditar que tudo o que os outros fazem, o tempo todo, é sempre melhor e feito de maneira natural e fácil.

Você sempre vai achar que deveria ganhar mais. Os prazos serão mais curtos do que o que quer. As ideias e inspirações não vem fácil. Após terminar um trabalho, você não vai gostar dele. E pior… o cliente vai gostar de algo que você não vai ter coragem de colocar no portfólio. Enquanto isso, você estará se cobrando mais, achando seus trabalhos passados quase que amadores e algumas vezes se comparando com outros profissionais que são referência. É como desarmar uma bomba relógio mas que está dentro da sua cabeça.

Porém, caso te dê um alívio, posso compartilhar com você algo que demorei mas aprendi nesses meus anos de erros e acertos.

Se você faz o que gosta, o seu cliente gosta do que você faz e ainda sim você está buscando a excelência e a sempre melhorar profissionalmente, você está no caminho certo. Não no caminho daquele designer de ficção científica lá de cima, mas no caminho de um excelente designer que agrega e traz valor à profissão.

Controle suas expectativas. Seja realista e profissional. Ter boas referências em profissionais renomados é ótimo. Mas que isso não se torne uma neura. Não queira ser igual a esse ou aquele. Seja você mesmo. Encontre seu estilo. Seja sua melhor versão designer. Com o tempo sua barba cresce (mulheres desconsiderem essa ok?) e o dinheiro para aquele fone de ouvido bacana vem 😉

Sobre o autor

Tiago Maricate

Tiago Maricate

34 e quase lá… Entusiasta dos games, tecnologia, teologia e design não necessariamente nessa ordem, passo a maior parte do tempo ou lendo, ou trabalhando ou estudando uma dessas coisas. No caso do design, trabalhando a mais de 10 anos na área, aprendi que o bom gosto visual se refina com o tempo e as habilidades e acertos são mais frutos de esforço e trabalho do que de dom.

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