Saiba como usar as cores no seu impresso | Designers Brasileiros

Confira as melhores dicas para garantir qualidade das cores na impressão

O processo de planejamento de uma campanha de marketing com uso de materiais impressos passa por diversas fases, todas de importância semelhante. Uma delas, naturalmente, é a parte visual. Os detalhes de layout e design escolhidos podem dizer muito sobre o que se quer comunicar, e aí é preciso fazer de tudo para não cometer erros. E a seleção das cores está envolvida nessa etapa.

As cores determinam muita coisa nas nossas vidas, por mais que passe despercebido. Não à toa, as cores são parte fundamental do estudo de design. Quem trabalha na área aprende a teoria do uso de cores e a psicologia que elas exercem sobre nós. Saber usá-las adequadamente tem o poder de impulsionar ou afundar uma campanha – e ninguém quer sair atrás no mercado tão competitivo de hoje. Tudo porque elas tem a capacidade de gerar uma comunicação não-verbal com os consumidores, implementar e/ou aumentar o reconhecimento de marca e até mesmo de influenciar nas decisões de compra.

Já não há quase campanhas de marketing ou publicidade atualmente que não levem em conta a teoria de cores na hora da criação. Os profissionais do setor estão mais do que cientes que apresentar uma consistência nas cores no design é determinante não apenas no desenvolvimento do logotipo, por exemplo, mas também em todos os canais de marketing e comunicação da marca. Por isso existe toda uma ciência por trás de seu uso.

A psicologia das cores

Após décadas de estudos e pesquisas, não há dúvidas que as cores estimulam áreas diferentes do nosso cérebro e atuam no inconsciente de cada um de nós. No setor de vendas, a cor definida para um produto pode aumentar em até 80% a chance do potencial consumidor decidir comprá-lo.

É o que fazem as lojas de brinquedo: geralmente, as paredes e prateleiras são pintadas com cores brilhantes para gerar um sentimento de euforia e estimular as crianças. Tons pastel de verde, azul e amarelo costumam ser muito associados a bebês e são extensamente usados em campanhas voltados para crianças pequenas e recém-nascidos.

Já os setores de saúde e beleza usam e abusam de tons de verde e azul em sua paleta de cores, pois sabem que tais matizes são calmas e atrativas para quem busca um estilo de vida mais saudável.

Cores quentes – como tons de amarelo, laranja e vermelho – transmitem uma sensação de calor, energia e excitação, associadas comumente a elementos como sol e fogo. Já as cores frias – azul, verde, rosa e afins – passam a impressão de frio, calma e segurança, relacionadas à água, gelo, céu e árvores.

O vermelho é considerado a cor mais quente de todas, trazendo o efeito em nossa mente de paixão, amor, fogo e até mesmo de sensações negativas como raiva ou perigo. Também bastante quente, o amarelo remete a luz, calor, positividade e motivação. O laranja é outra cor que está sempre relacionada com energia, alegria e criatividade – afinal, é a junção do vermelho com o amarelo.

Entre as cores frias, a mais popular é sem dúvida o azul, muito encontrada em identidades visuais de marcas mundo afora. Tudo por trazer a impressão de calma, tranquilidade e serenidade – e o que mais uma marca pode desejar fazer seu público sentir em relação a ela? Tendemos a gostar do que nos traz conforto e segurança. O verde também possui bastante aceitação por lembrar dinheiro, riqueza e esperança.

Ainda existem as cores neutras, sempre versáteis e passíveis de combinação com qualquer outro tipo. É o caso do branco, muito encontrado na área da saúde por representar pureza, limpeza, paz e neutralidade. Já o preto traz um ar de sofisticação, elegância e prestígio, sendo muito encontrado em produtos de maior valor – tais quais os cartões ‘black’ que muitos bancos possuem.

Conhecendo as escalas

Quem já teve de lidar em algum momento com escala de cores já ouviu falar nas duas mais conhecidas: a RGB e a CMYK. E a diferença entre elas é bem simples. A primeira representa a cor-luz, a que vemos em qualquer objeto que emita luz, como monitores ou televisores. Já a segunda é a cor-pigmento, usada pela indústria gráfica para impressão através de tinta.

Vamos a elas. A escala CMYK tem esse nome por ser composta por quatro cores padrão: azul ciano (C), magenta (M), amarelo (Y) e preto (K). Além das cores primárias – as três primeiras – que dão origem a todas as outras, ela também apresenta o preto, que funciona como cor chave – daí a sigla K, significando ‘key’, chave em inglês. A CMYK representa a maior parte das cores visíveis através de impressoras, diminuindo a luminosidade e valorizando a combinação de suas quatro cores.

Já o sistema RGB tem como cores básicas o vermelho (R), o verde (G) e o azul (B). Misturando suas três cores padrão, dá-se origem a todas as outras, variando de acordo com uma escala de 0-0-0 (resultando no preto) até 255-255-255 (o branco). Os valores mais baixos geram os tons escuros, enquanto os mais altos representam os claros.

Como há diferença entre na escala que vemos na tela do computador (RGB) para o que sairá na tinta (CMYK), não há 100% de fidelidade de impressão – geralmente os valores podem variar até 10%. No entanto, existem softwares que aplicam um filtro para que a imagem da tela pareça mais com o que será visto no papel.

Ainda existe uma terceira escala bastante usada, a Pantone. Ela possui uma gama enorme de variedade de tons, definidos através de um código numérico. Por ser mais ampla, é usada geralmente para cores e efeitos especiais na indústria gráfica.

O que significam 1×0, 1×1, 4×0 e 4×4?

Com certeza você já esbarrou com essas combinações de números aparentemente estranhas quando lidava com cores no design de materiais impressos. Apesar de parecerem códigos indecifráveis a princípio, na verdade essa numeração usada pela indústria gráfica na hora da produção tem uma explicação bastante simples. E agora que você já conhece melhor as escalas usadas – principalmente a CMYK – tudo fica ainda mais fácil de compreender.

Sendo curto e direto: o primeiro número indica a quantidade de cores que será impressa na parte da frente do material, enquanto o segundo mostra a quantidade da parte de trás, o verso. A partir disso, surgem algumas combinações possíveis para a impressão de cores. E para entender melhor na prática, é preciso detalhar cada uma delas.

Decifrando: o 1×0 significa que o material será impresso em preto e branco em apenas um dos lados. consequentemente, o 1×1 indica impressão em preto e branco em ambos os lados, tanto frente quanto verso.

A numeração 4×0 aponta que em um dos lados o produto final terá a mistura das quatro cores da escala CMYK (lembrando: ciano, magenta, amarelo e preto); o outro verso ficará totalmente em branco, sem uso de qualquer cor. Já no caso da 4×1, enquanto um lado terá essas mesmas quatro cores combinando, o outro será impresso apenas com uma – geralmente a preta, para impressão em preto e branco ou escala de cinza.

Seguindo essa linha de raciocínio, fica fácil deduzir o resto da sequência. A 4×2 tem quatro cores na parte da frente e uma combinação de duas das cores do sistema CMYK no verso. A 4×3 combina três dessas cores no outro lado, enquanto a 4×4 tem as quatro cores nas duas partes do material impresso.

Fechando o arquivo antes de enviar

Após encerrar todo o design do seu material gráfico, ainda resta um último passo a se observar sobre as cores antes de enviá-lo para impressão: o fechamento do arquivo. Caso seja fechado de maneira inadequada, pode haver variação nas cores no resultado final do impresso. E prestando a devida atenção nessa etapa, evita-se o risco de reimpressão e de gastos desnecessários.

Para começar, é preciso garantir que as cores estejam todas na escala CMYK. Caso estejam no formato de coloração digital, o RGB, terá de convertê-los antes de fechar e enviar o arquivo para a gráfica. Assim, terá o resultado impresso mais parecido possível com o que está sendo visto no monitor.

A parte escrita de qualquer material deve estar em 100% preto no sistema CMYK. No geral, as cores são trabalhadas em esquemas que variam em até 100% para cada uma delas, totalizando 400%, mas no texto deve-se usar apenas o preto no 100% – evitando problemas na impressão como borrões, folhas grudadas, dificuldade de secagem e ainda conseguindo economizar bastante tinta.

Outro ponto a se atentar é a aplicação do overprint: é usado quando há texto preto sobre fundo colorido para evitar margens brancas ao redor das letras. Overprint significa ‘impressão sobre’ na tradução do inglês, já que a impressão é feita com a sobreposição das quatro cores do sistema CMYK. Ao usar o overprint, o texto preto será impresso por cima da chapa da cor desejada, garantindo a qualidade do resultado final.

Já o uso do preto calçado (rich black) é mais um detalhe interessante na hora do fechamento do arquivo. Nada mais é que o uso de outra cor por baixo como base (ou calço) para que o preto seja impresso por cima, gerando maior intensidade de cor no final. Para isso, basta aplicar 30 ou 40% de qualquer outra cor da CMYK – mas uma só, já que acrescentar todas elas apenas gasta tinta e deixa o impresso grudando.

A Mediatall fez um ebook completo sobre o tema: Guia Prático para Fechamento de Arquivo, que está disponibilizado via Dropbox.


Agora você já sabe que mesmo a mínima diferença de um tom de cor pode alterar completamente a percepção do público sobre a marca. Sabe também que ter consistência no aspecto visual é crucial para o reconhecimento de marca. Então, não deixe de planejar com cuidado cada etapa da escolha das cores e da comunicação visual de sua campanha.

Bom trabalho!

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Dalmir
Author

Dalmir Junior é fundador do Designers Brasileiros e Coordenador de Criação na Prefeitura de Franco da Rocha.

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