Venture Design, o design a serviço da aceleração de startups | Designers Brasileiros

Novos negócios encabeçados por startups estão reinventando o mercado global. Dentro desse cenário, o Brasil se destaca como um importante e poderoso player de inovação em produtos e serviços e é através do design que essas novas empresas podem ganhar ainda mais força, se tornando realmente rentáveis e relevantes.

O mundo mágico do Vale do Silício, antes reconhecido como o único local onde uma startup poderia ser bem sucedida,  já não é mais a plataforma exclusiva para o lançamento de novos negócios. Hoje, o oeste Europeu, Japão, Índia, Israel e Sudeste do Brasil vivenciam um boom quando o assunto é força empreendedora.

No Brasil, mesmo com enormes burocracias para se empreender e a falta de preparo de muitas dessas pequenas empresas, o número de novos negócios se espalha cada vez mais.

Além das startups criarem benefícios para a transformação de nossa economia e cultura de negócios, também começam a atrair investimentos estrangeiros. Em um movimento recente a brasileira 99Taxis foi adquirida pela Chinesa Didi Chuxing pela bagatela de US$960 milhões. Já a Decora, serviço que utiliza realidade aumentada para auxiliar a venda online de móveis, acaba de ser comprada por US$100 milhões.

Porém, todo esse show de números e o hype em torno do universo startup acaba também lançando inúmeras ideias que no papel parecem extraordinárias, mas que infelizmente falham em sua realização, devido ao complexo processo de desenvolvimento dessas empresas – que vai desde a construção de um plano de negócio consistente até a materialização de um produto ou serviço através de inúmeros processos de design.

Assim, o design vai conquistando cada vez mais espaço dentro das empresas. Grandes corporações estão criando seus próprios núcleos de design, consultorias se tornando parceiros-chave no impulsionamento de novos negócios e startups de sucesso já priorizam as lógicas do design como parte fundamental de sua evolução.

Em 2009, Braden Kowitz, designer do Google, assumiu parte das direções da Google Ventures, dando início a um ciclo de Design Sprints que começaram a agregar valor às startups, não apenas através do investimento monetário, mas também com o aperfeiçoamento de negócios que estavam em estágio inicial. Já pequenas startups, como o Pinterest, por exemplo, que chegou a valer $3.8 bilhões, alcançaram inimagináveis valores de mercado através de direcionamentos de design. E esses são só alguns exemplos.

Dentro da Questtonó, começamos a nos conectar espontaneamente com vários empreendedores através de nossa ampla rede de pessoas. Promovemos eventos, escutamos histórias, compartilhamos ideias, mas no fim percebemos que nosso papel poderia ser mais significativo dentro desse movimento.

Acreditamos que através do design podemos criar sistemas relevantes alcançando um outro nível de conexão emocional com os usuários. Assim, ficou claro para nós que essa postura, que chamamos de Design Sistêmico, precisava também lançar seus braços para potencializar startups que possuam potencial para criar experiências relevantes para as pessoas.

Já comum no exterior, os processos de Venture Design são semelhantes a um processo de Venture Capital – investimento financeiro em startups. Porém, em um processo de Venture Design, a principal moeda de troca não é financeira mas sim estratégica. É quando uma consultoria de Design e Inovação empresta suas metodologias e processos para potencializar o avanço desses empreendedores. De olho no movimento empreendedor no Brasil e em Nova York – onde operamos desde 2015, inauguramos oficialmente nossa frente de Venture Design com o lançamento da PEER2BEER, plataforma de formação de produtores caseiros de cerveja e primeira startup apoiada pelo Venture Design.

Essa nova frente pode ser considerada um grande efeito de polinização criativa, que permite que experiências diversas se somem e cresçam em conjunto. Não só utilizamos nossas metodologias para acelerar esses negócios, como também todo esse processo está trazendo inúmeras mudanças positivas para a Questtonó em si.

Acreditamos que com a aproximação desses empreendedores à nossa realidade, não só as startups, mas também nossos grandes clientes poderão se aproveitar de descobertas capazes de produzir negócios mais coerentes e realmente inovadores.

Leonardo Massarelli é CCO da Questtonó, consultoria de Inovação e Design com escritórios em SP, RJ e NY.

 Um dos fundadores da Questtonó, já trabalhou com diversas companhias globais e nacionais, como AB Inbev, Ambev, Ford, Samsung, Natura, entre outros. Leonardo se tornou um especialista em inovação e mercado brasileiro, o que ocasionou o convite para ser um dos juízes do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, em 2015.

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